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Exames / 2024 / Época Especial

Resolução — Época Especial 2024

23 itens, pela ordem normal de resolução

Questão 1.1 • 10 valores
Gases e Dispersões
⚠ Item do grupo opcional: das 8 respostas deste grupo, só as 4 com melhor pontuação contam para a classificação final.
✓ Resolução

O teor de CO2 na amostra, expresso em partes por milhão em volume, obtém-se pela razão entre o volume de CO2 e o volume total da amostra de ar, multiplicada por 10⁶:

ppm(V/V)=VCO2Var×106=8,34×10−2200×106≈4,17×102 ppm\text{ppm}(V/V) = \dfrac{V_{CO_2}}{V_{ar}} \times 10^6 = \dfrac{8{,}34\times 10^{-2}}{200} \times 10^6 \approx 4{,}17\times 10^2 \text{ ppm}

Como o ar no local de recolha é homogéneo e a amostra é representativa do ar circundante, o teor de CO2 calculado nesta amostra é igual ao teor de CO2 no ar circundante, desde que medido nas mesmas condições de pressão e de temperatura.

(B) 4,17×102 ppm (em volume) ... igual\text{(B) } 4{,}17\times 10^2 \text{ ppm (em volume) ... igual}

Questão 1.2 • 10 valores
Gases e Dispersões
⚠ Item do grupo opcional: das 8 respostas deste grupo, só as 4 com melhor pontuação contam para a classificação final.
✓ Resolução

Como os dois recipientes são iguais (mesmo volume) e os gases neles contidos se encontram nas mesmas condições de pressão e de temperatura, a Lei de Avogadro garante que ambos contêm a mesma quantidade de matéria, n, e por isso também o mesmo número de moléculas.

No entanto, como o CH4 e o CO têm massas molares diferentes (16,05 g/mol e 28,01 g/mol, respetivamente), a mesma quantidade de matéria de cada gás corresponde a uma massa de gás diferente em cada recipiente, sendo superior no recipiente que contém CO, por ter maior massa molar:

m=n×Mm = n \times M

(C) igual, mas a massa de gaˊs eˊ diferente.\text{(C) igual, mas a massa de gás é diferente.}

Questão 1.3 • 10 valores
Gases e Dispersões
✓ Resolução

Para averiguar se o N2O se encontra em condições PTN, calcula-se o volume molar experimental do gás, que corresponde ao declive da reta de ajuste ao gráfico do volume em função da quantidade de matéria, uma vez que V = Vm × n.

Introduzindo os pares de valores (n, V) da tabela numa calculadora gráfica, obtém-se a reta de ajuste, com o número de algarismos significativos adequado aos dados fornecidos:

V=19,6 n+0,2V = 19{,}6\,n + 0{,}2

O declive desta reta corresponde ao volume molar experimental do N2O nas condições em que os dados foram medidos:

Vm=19,6 dm3 mol−1V_m = 19{,}6 \text{ dm}^3\text{ mol}^{-1}

Este valor é diferente do volume molar de um gás em condições PTN, indicado na tabela de constantes:

VmPTN=22,4 dm3 mol−1V_m^{PTN} = 22{,}4 \text{ dm}^3\text{ mol}^{-1}

Como o volume molar experimental do N2O, 19,6 dm³/mol, é diferente do valor teórico para as condições PTN, 22,4 dm³/mol, conclui-se que o N2O não se encontra nas condições normais de pressão e de temperatura.

Questão 1.4 • 10 valores
Estrutura Eletrónica
⚠ Item do grupo opcional: das 8 respostas deste grupo, só as 4 com melhor pontuação contam para a classificação final.
✓ Resolução

A energia de remoção de um eletrão é tanto maior quanto mais interna for a orbital que ocupa. Assim, em cada esboço, a risca mais à esquerda corresponde aos eletrões da orbital 1s, a risca intermédia aos eletrões da orbital 2s, e a risca mais à direita aos eletrões da orbital 2p, a mais externa e a de menor energia de remoção.

As configurações eletrónicas, no estado fundamental, dos três átomos são: Carbono (Z=6): 1s²2s²2p²; Nitrogénio (Z=7): 1s²2s²2p³; Oxigénio (Z=8): 1s²2s²2p⁴. Em qualquer um deles, as orbitais 1s e 2s estão sempre completas, com 2 eletrões cada, pelo que as duas primeiras riscas de cada espectro têm sempre igual altura entre si; a diferença entre os três átomos está apenas na altura da terceira risca, correspondente à orbital 2p.

No Oxigénio, a orbital 2p tem 4 eletrões, o dobro dos eletrões das orbitais 1s e 2s, pelo que a terceira risca deve ter o dobro da altura das outras duas: é o que se observa no esboço (4).

No Nitrogénio, a orbital 2p tem 3 eletrões, pelo que a terceira risca deve ter uma altura 1,5 vezes superior à das outras duas: é o que se observa no esboço (1).

No Carbono, a orbital 2p tem 2 eletrões, o mesmo número que as orbitais 1s e 2s, pelo que as três riscas devem ter igual altura entre si: essa condição é satisfeita tanto no esboço (2) como no esboço (3). Para os distinguir, compara-se a posição das riscas ao longo do eixo da energia de remoção: como o carbono tem um número atómico inferior ao do nitrogénio e ao do oxigénio, a sua carga nuclear é menor, pelo que a atração exercida sobre os seus eletrões é mais fraca e as respetivas energias de remoção são inferiores às dos outros dois átomos. É o esboço (2), com as três riscas posicionadas a valores mais baixos de energia de remoção, que corresponde a essa condição, sendo por isso o que se associa ao Carbono.

(a) Carbono→(2)(b) Nitrogeˊnio→(1)(c) Oxigeˊnio→(4)\text{(a) Carbono} \to (2) \qquad \text{(b) Nitrogénio} \to (1) \qquad \text{(c) Oxigénio} \to (4)

Questão 2.1 • 10 valores
Aspetos Quantitativos
⚠ Item do grupo opcional: das 8 respostas deste grupo, só as 4 com melhor pontuação contam para a classificação final.
✓ Resolução

Pela estequiometria da equação CH4(g) + 2 O2(g) → CO2(g) + 2 H2O(g), cada mole de CH4 que reage necessita de 2 mol de O2. Assim, para a reação completa das 2 mol de CH4 colocadas no reator, seriam necessárias 4 mol de O2.

Como só existem 3 mol de O2 disponíveis, inferior às 4 mol necessárias, o O2 é o reagente limitante, esgotando-se antes de todo o CH4 reagir (ficam por reagir 0,5 mol de CH4, em excesso).

A quantidade de H2O formada é determinada pela quantidade de reagente limitante, O2. Pela estequiometria da equação, a proporção entre O2 consumido e H2O formada é de 1:1 (2 mol de O2 para 2 mol de H2O):

nH2O=nO2=3,0 moln_{H_2O} = n_{O_2} = 3{,}0 \text{ mol}

(D) O2, obtendo-se 3 mol de H2O.\text{(D) O}_2\text{, obtendo-se 3 mol de H}_2\text{O.}

Questão 2.2 • 12 valores
Transformações QuímicasEnergia, Fenómenos Térmicos e Radiação
✓ Resolução

A energia necessária para quebrar todas as ligações químicas dos reagentes de uma mole de CH4 (4 ligações C-H) e de duas moles de O2 (2 ligações O=O) é:

∑Ereagentes=4×E(C−H)+2×E(O=O)=4×414+2×490=2636 kJ\sum E_{reagentes} = 4 \times E(C{-}H) + 2 \times E(O{=}O) = 4\times 414 + 2\times 490 = 2636 \text{ kJ}

A energia libertada na formação das ligações dos produtos, uma mole de CO2 (2 ligações C=O) e duas moles de H2O (2 ligações O-H em cada molécula, ou seja, 4 ligações O-H no total), é:

∑Eprodutos=2×E(C=O)+4×E(O−H)=2×799+4×460=3438 kJ\sum E_{produtos} = 2 \times E(C{=}O) + 4 \times E(O{-}H) = 2\times 799 + 4\times 460 = 3438 \text{ kJ}

A variação de entalpia da reação é a diferença entre a energia necessária para quebrar as ligações dos reagentes e a energia libertada na formação das ligações dos produtos:

Δh=∑Ereagentes−∑Eprodutos=2636−3438=−802 kJ\Delta h = \sum E_{reagentes} - \sum E_{produtos} = 2636 - 3438 = -802 \text{ kJ}

Sendo ΔH negativa, a reação é exotérmica, libertando 802 kJ de energia por cada mole de CH4 que reage completamente. Calculando a quantidade de CH4 que reagiu, a partir da massa queimada:

n=mM=40,016,05≈2,49 mol de CH4n = \dfrac{m}{M} = \dfrac{40{,}0}{16{,}05} \approx 2{,}49 \text{ mol de CH}_4

A energia total libertada nesta combustão é, então:

E=2,49×802≈2,00×103 kJ=2,00×106 JE = 2{,}49 \times 802 \approx 2{,}00\times 10^3 \text{ kJ} = 2{,}00\times 10^6 \text{ J}

Como o rendimento é de 100% em todos os processos, toda esta energia foi usada para aquecer a água, dos 10,0°C aos 35,0°C (ΔT = 25,0°C). Isolando a massa de água na expressão E = m c ΔT:

maˊgua=Ec×ΔT=2,00×1064,18×103×25,0≈19,1 kgm_{água} = \dfrac{E}{c \times \Delta T} = \dfrac{2{,}00\times 10^6}{4{,}18\times 10^3 \times 25{,}0} \approx 19{,}1 \text{ kg}

maˊgua≈19,1 kgm_{água} \approx 19{,}1 \text{ kg}

Questão 3.1 • 10 valores
Equilíbrio Químico
✓ Resolução

a) Num reator vazio, onde inicialmente só existem os reagentes CO(g) e H2O(g), a reação evolui apenas no sentido direto, consumindo reagentes e formando produtos. Assim, até se atingir o equilíbrio químico, a concentração dos reagentes diminui.

a) (2) diminui\text{a) (2) diminui}

b) Enquanto a concentração dos reagentes diminui e a dos produtos aumenta, a reação direta ocorre a uma velocidade cada vez menor e a reação inversa a uma velocidade cada vez maior. Até se atingir o equilíbrio, a velocidade da reação direta é sempre superior à da reação inversa, uma vez que é essa diferença que sustenta a evolução do sistema no sentido direto.

b) (3) superior\text{b) (3) superior}

c) Como a variação de entalpia desta reação é negativa (ΔH < 0), a reação direta é exotérmica. Pelo Princípio de Le Chatelier, uma diminuição da temperatura favorece o sentido da reação que liberta energia, ou seja, a reação direta, uma vez que essa libertação de energia contraria, em parte, a diminuição de temperatura imposta.

c) (2) temperatura\text{c) (2) temperatura}

Questão 3.2 • 12 valores
Equilíbrio Químico
✓ Resolução

Para determinar em que sentido o sistema evolui até atingir o equilíbrio, calcula-se o quociente da reação, Qc, com as quantidades existentes no instante considerado, e compara-se com o valor da constante de equilíbrio, Kc = 1,8:

Qc=[CO2][H2][CO][H2O]=(4,0V)(1,0V)(0,2V)(5,0V)=4,01,0=4,0Q_c = \dfrac{[CO_2][H_2]}{[CO][H_2O]} = \dfrac{\left(\dfrac{4{,}0}{V}\right)\left(\dfrac{1{,}0}{V}\right)}{\left(\dfrac{0{,}2}{V}\right)\left(\dfrac{5{,}0}{V}\right)} = \dfrac{4{,}0}{1{,}0} = 4{,}0

Como Qc (4,0) é superior a Kc (1,8), o sistema não está em equilíbrio e evolui no sentido de diminuir Qc, ou seja, no sentido de aumentar as concentrações dos reagentes (CO e H2O) e diminuir as dos produtos (CO2 e H2): o sistema evolui no sentido inverso.

Sabendo que todos os constituintes alteram a sua quantidade em 0,15 mol até ao equilíbrio, e que no sentido inverso os reagentes aumentam essa quantidade, a variação para o CO é +0,15 mol. A quantidade de CO no reator, quando se atinge o equilíbrio, é então:

nCO,eq=0,2+0,15=0,35 moln_{CO,eq} = 0{,}2 + 0{,}15 = 0{,}35 \text{ mol}

Como a quantidade inicial de CO, 0,2 mol, está expressa apenas com uma casa decimal, o resultado final deve ser arredondado também a uma casa decimal:

nCO,eq≈0,4 moln_{CO,eq} \approx 0{,}4 \text{ mol}

Questão 4.1 • 10 valores
Energia e Movimentos
✓ Resolução

O trabalho realizado por uma força constante, ao longo de um deslocamento, é dado por W = F d cos α, sendo α o ângulo entre a força e o deslocamento. Uma força realiza trabalho nulo quando é perpendicular ao deslocamento, ou seja, quando α = 90°, pois cos 90° = 0.

Como o deslocamento do EM-Bird é horizontal, apenas a força que for perpendicular a essa direção, isto é, vertical, realizará trabalho nulo. Das três forças que atuam no EM-Bird, apenas a força gravítica, Fg, é vertical: a tensão do cabo, T, e a resistência do ar, Rar, têm ambas uma componente horizontal, pelo que realizam trabalho não nulo no deslocamento horizontal.

(B) F⃗g\text{(B) } \vec{F}_g

Questão 4.2 • 10 valores
Ondas e Eletromagnetismo
⚠ Item do grupo opcional: das 8 respostas deste grupo, só as 4 com melhor pontuação contam para a classificação final.
✓ Resolução

O índice de refração do ar é 1,000, pelo que a luz do pulso laser se propaga no ar com a mesma velocidade com que se propagaria no vazio, c = 3,00×10⁸ m/s.

A distância total percorrida pelo pulso de luz, entre a sua emissão e a sua receção pelo EM-Bird, após ser refletido na superfície do gelo, é:

d=c×Δt=3,00×108×6,08×10−8=18,24 md = c \times \Delta t = 3{,}00\times 10^8 \times 6{,}08\times 10^{-8} = 18{,}24 \text{ m}

Esta distância corresponde ao trajeto de ida e volta percorrido pela luz entre o EM-Bird e a superfície do gelo, pelo que a distância d1, do EM-Bird à superfície do gelo, é metade deste valor:

d1=d2=18,242=9,12 md_1 = \dfrac{d}{2} = \dfrac{18{,}24}{2} = 9{,}12 \text{ m}

A espessura do gelo marinho é a diferença entre a distância d2, do EM-Bird à base do gelo, e a distância d1, do EM-Bird à sua superfície:

espessura=d2−d1=11,32−9,12=2,20 m\text{espessura} = d_2 - d_1 = 11{,}32 - 9{,}12 = 2{,}20 \text{ m}

(A) 2,20 m\text{(A) } 2{,}20 \text{ m}

Questão 4.3 • 10 valores
Energia em Sistemas Elétricos
✓ Resolução

Um bom condutor elétrico caracteriza-se por apresentar uma resistência elétrica baixa, permitindo a passagem de corrente elétrica com facilidade.

Ao contrário dos metais, nos quais os portadores de carga responsáveis pela condução elétrica são os eletrões livres, nas soluções aquosas, como a água do mar, são os iões dissolvidos que se deslocam e transportam a carga elétrica, permitindo a condução da corrente.

(D) io˜es em soluc¸a˜o ... baixa\text{(D) iões em solução ... baixa}

Questão 5.1 • 10 valores
Soluções em Equilíbrio de Solubilidade
✓ Resolução

A solubilidade de um sal corresponde à massa máxima desse sal que se consegue dissolver por volume de solução, a uma dada temperatura. Um sal precipita quando a sua concentração mássica em solução ultrapassa o respetivo valor de solubilidade.

À medida que a água evapora, o volume da solução diminui, mas a massa de cada sal dissolvido mantém-se constante, pelo que a concentração mássica de todos os sais presentes vai aumentando. O primeiro sal a precipitar é aquele cuja concentração mássica atinge primeiro o respetivo valor de solubilidade.

Comparando os quatro sais, o sulfato de cálcio, CaSO4, é o que apresenta, de longe, o menor valor de solubilidade (2,1 g/dm³, face a uma concentração mássica inicial de 1,80 g/dm³, portanto já muito próxima do limite de solubilidade), pelo que será o primeiro a atingir a saturação e a precipitar.

(C) CaSO4\text{(C) CaSO}_4

Questão 5.2 • 10 valores
Soluções em Equilíbrio de Solubilidade
✓ Resolução

O equilíbrio de solubilidade do di-hidróxido de magnésio pode ser traduzido por Mg(OH)2(s) ⇌ Mg2+(aq) + 2 OH-(aq).

Diminuir o pH de uma solução corresponde a aumentar a concentração de iões H3O+, o que provoca uma diminuição da concentração de iões OH- em solução, uma vez que estes reagem com os iões H3O+ (H3O+ + OH- → 2 H2O), sendo removidos do equilíbrio.

Pelo Princípio de Le Chatelier, esta diminuição da concentração de um dos produtos do equilíbrio de solubilidade, os iões OH-, desloca o equilíbrio no sentido direto, ou seja, no sentido da dissolução de mais Mg(OH)2 sólido, de modo a contrariar, em parte, essa diminuição.

Como o equilíbrio se desloca no sentido de dissolver mais sólido, conclui-se que a solubilidade do di-hidróxido de magnésio aumenta com a diminuição do pH da solução.

Questão 6.1 • 12 valores
Energia em Sistemas Elétricos
✓ Resolução

A potência elétrica do raio relaciona-se com a diferença de potencial e a intensidade de corrente elétrica através de P = U×I. Isolando a intensidade de corrente:

P=U×I  ⇔  I=PU=1,0×10123,0×107≈3,33×104 AP = U \times I \;\Leftrightarrow\; I = \dfrac{P}{U} = \dfrac{1{,}0\times 10^{12}}{3{,}0\times 10^7} \approx 3{,}33\times 10^4 \text{ A}

A carga elétrica que atravessa a secção reta da superfície da Terra, durante os 0,10 s da descarga, obtém-se a partir da definição de intensidade de corrente elétrica, I = Q/Δt:

Q=I×Δt=3,33×104×0,10≈3,33×103 CQ = I \times \Delta t = 3{,}33\times 10^4 \times 0{,}10 \approx 3{,}33\times 10^3 \text{ C}

Como esta carga corresponde ao movimento de eletrões, e a carga de um eletrão é 1,6×10⁻¹⁹ C, o número de eletrões que atravessam a superfície é:

N=Qqeletra~o=3,33×1031,6×10−19≈2,1×1022 eletro˜esN = \dfrac{Q}{q_{eletrão}} = \dfrac{3{,}33\times 10^3}{1{,}6\times 10^{-19}} \approx 2{,}1\times 10^{22} \text{ eletrões}

A ordem de grandeza deste valor é, portanto, 10²².

N∼1022 eletro˜esN \sim 10^{22} \text{ eletrões}

Questão 6.2 • 12 valores
Ondas e Eletromagnetismo
✓ Resolução

Para ser induzida uma força eletromotriz numa espira, tem de haver uma variação do fluxo magnético que a atravessa. Sendo o campo magnético sempre perpendicular ao plano da espira, e a área da espira constante, essa variação só pode resultar de uma variação do módulo do campo magnético.

Pela Lei de Faraday, o módulo da força eletromotriz induzida é diretamente proporcional à taxa temporal de variação do fluxo magnético, ou seja, é tanto maior quanto mais rápida for a variação do campo magnético num dado intervalo de tempo. Analisando o gráfico da Figura 2, verifica-se que a variação do campo magnético é mais acentuada no intervalo [0; 1] μs, onde o campo aumenta de forma mais íngreme do que nos restantes intervalos considerados.

Nesse intervalo, o campo magnético varia de 0 a 400 μT (4,00×10⁻⁴ T). Aplicando a Lei de Faraday, com o campo magnético perpendicular ao plano da espira (θ = 0°):

ε=∣ΔΦm∣Δt=A×∣Bf−Bi∣Δt\varepsilon = \dfrac{|\Delta\Phi_m|}{\Delta t} = \dfrac{A \times |B_f - B_i|}{\Delta t}
ε=18×∣4,00×10−4−0∣1,0×10−6≈7,2×103 V\varepsilon = \dfrac{18 \times |4{,}00\times 10^{-4} - 0|}{1{,}0\times 10^{-6}} \approx 7{,}2\times 10^3 \text{ V}

ε≈7,2×103 V\varepsilon \approx 7{,}2\times 10^3 \text{ V}

Questão 7.1 • 10 valores
Mecânica
⚠ Item do grupo opcional: das 8 respostas deste grupo, só as 4 com melhor pontuação contam para a classificação final.
✓ Resolução

Antes de se atingir a velocidade terminal, atuam na gota a força gravítica, constante, e a resistência do ar, cuja intensidade aumenta com a velocidade da gota, mas que se mantém sempre inferior à força gravítica. A resultante destas duas forças tem, por isso, direção vertical e sentido de cima para baixo, mas a sua intensidade vai diminuindo à medida que a resistência do ar aumenta.

Como a resultante das forças não é constante, o movimento é acelerado, mas não uniformemente acelerado.

Quando a intensidade da resistência do ar iguala a da força gravítica, a resultante das forças torna-se nula, e a gota passa a mover-se com velocidade constante, ou seja, com movimento uniforme.

(B) acelerado e uniforme.\text{(B) acelerado e uniforme.}

Questão 7.2 • 10 valores
Mecânica
✓ Resolução

Quando a gota atinge a velocidade terminal, o seu movimento passa a ser retilíneo e uniforme, pelo que a resultante das forças que nela atuam é nula. Como só atuam a força gravítica e a resistência do ar, estas duas forças têm, nesse instante, igual intensidade e sentidos opostos.

Como a força gravítica tem sempre sentido de cima para baixo, a resistência do ar tem, neste instante, sentido de baixo para cima.

Para calcular a intensidade da força gravítica, começa-se por determinar a massa da gota a partir do seu volume e da massa volúmica da água:

ρ=mV  ⇔  m=ρ×V=1,0×4,2×10−3=4,2×10−3 g=4,1×10−6 kg\rho = \dfrac{m}{V} \;\Leftrightarrow\; m = \rho \times V = 1{,}0 \times 4{,}2\times 10^{-3} = 4{,}2\times 10^{-3} \text{ g} = 4{,}1\times 10^{-6} \text{ kg}

A intensidade da força gravítica, igual à da resistência do ar neste instante, é:

Fg=m×g=4,1×10−6×9,80≈4,1×10−5 NF_g = m \times g = 4{,}1\times 10^{-6} \times 9{,}80 \approx 4{,}1\times 10^{-5} \text{ N}

(D) sentido de baixo para cima e intensidade 4,1×10−5 N.\text{(D) sentido de baixo para cima e intensidade } 4{,}1\times 10^{-5} \text{ N.}

Questão 7.3 • 10 valores
Energia e Movimentos
⚠ Item do grupo opcional: das 8 respostas deste grupo, só as 4 com melhor pontuação contam para a classificação final.
✓ Resolução

Se não existisse resistência do ar, o sistema gota de água + Terra seria conservativo, e a energia cinética da gota no instante imediatamente anterior a atingir o solo seria igual à energia potencial gravítica inicial, uma vez que a gota parte do repouso (energia cinética inicial nula) e atinge o solo, tomado como nível de referência (energia potencial gravítica final nula):

Ec,solosem resist.=Epg,inicial=m g h=m×9,80×1700E_{c,solo}^{sem\ resist.} = E_{pg,inicial} = m\,g\,h = m \times 9{,}80 \times 1700

Na situação real, com resistência do ar, a gota atinge o solo com a velocidade terminal, de módulo 7,0 m/s, à qual corresponde uma energia cinética de:

Ec,soloreal=12 m v2=12×m×7,02E_{c,solo}^{real} = \dfrac{1}{2}\,m\,v^2 = \dfrac{1}{2}\times m\times 7{,}0^2

Comparando os dois valores, calculando a razão entre eles:

Ec,solosem resist.Ec,soloreal=m×9,80×170012×m×7,02≈680\dfrac{E_{c,solo}^{sem\ resist.}}{E_{c,solo}^{real}} = \dfrac{m\times 9{,}80\times 1700}{\dfrac{1}{2}\times m\times 7{,}0^2} \approx 680

Conclui-se que, sem resistência do ar, a energia cinética da gota no instante imediatamente anterior a atingir o solo seria cerca de 680 vezes superior à que se obtém na situação real.

(A) 680 vezes superior.\text{(A) 680 vezes superior.}

Questão 8.1 • 10 valores
Gases e Dispersões
✓ Resolução

A balança utilizada é digital, apresentando o valor 0,000 g no visor, o que indica uma sensibilidade de 0,001 g. A incerteza de leitura de um instrumento digital corresponde, em geral, a essa sensibilidade, pelo que a massa deveria ter sido registada como m = (5,934 ± 0,001) g. O valor registado, com incerteza ± 0,005 g, está portanto incorreto.

A bureta é um instrumento analógico cujo fabricante indica uma sensibilidade de ± 0,030 mL. A incerteza absoluta de uma leitura feita com este instrumento deve corresponder a essa sensibilidade, pelo que o volume deveria ter sido registado como V = (6,000 ± 0,030) cm³. O valor registado, com incerteza ± 0,05 cm³ e sem o número correto de algarismos significativos, está também incorreto.

Como nenhuma das duas medidas está corretamente registada, quer na forma quer no valor da incerteza associada, conclui-se que nenhuma das medidas está correta.

(D) Nenhuma das medidas.\text{(D) Nenhuma das medidas.}

Questão 8.2 • 12 valores
Ácido-Base
✓ Resolução

Como se trata de água pura, a autoionização da água, 2 H2O(l) ⇌ H3O+(aq) + OH-(aq), produz quantidades iguais de H3O+ e de OH-, pelo que [H3O+] = [OH-]. Substituindo na expressão do produto iónico da água, a 25°C:

[H3O+][OH−]=Kw  ⇔  [OH−]2=Kw  ⇔  [OH−]=Kw=1,012×10−14≈1,006×10−7 mol dm−3[H_3O^+][OH^-] = K_w \;\Leftrightarrow\; [OH^-]^2 = K_w \;\Leftrightarrow\; [OH^-] = \sqrt{K_w} = \sqrt{1{,}012\times 10^{-14}} \approx 1{,}006\times 10^{-7} \text{ mol dm}^{-3}

A partir do volume das 120 gotas (5,92 cm³ = 5,92×10⁻³ dm³), calcula-se a quantidade de iões hidróxido nelas presente:

nOH−=[OH−]×V=1,006×10−7×5,92×10−3≈5,96×10−10 moln_{OH^-} = [OH^-] \times V = 1{,}006\times 10^{-7} \times 5{,}92\times 10^{-3} \approx 5{,}96\times 10^{-10} \text{ mol}

Convertendo esta quantidade em número de iões, através da constante de Avogadro, obtém-se o número de iões OH- presente no conjunto das 120 gotas:

N=n×NA=5,96×10−10×6,02×1023≈3,59×1014 io˜esN = n \times N_A = 5{,}96\times 10^{-10} \times 6{,}02\times 10^{23} \approx 3{,}59\times 10^{14} \text{ iões}

O número médio de iões OH- numa única gota obtém-se dividindo por 120:

Ngota=3,59×1014120≈2,99×1012 io˜esN_{gota} = \dfrac{3{,}59\times 10^{14}}{120} \approx 2{,}99\times 10^{12} \text{ iões}

Ngota≈2,99×1012 io˜esN_{gota} \approx 2{,}99\times 10^{12} \text{ iões}

Questão 9.1 • 10 valores
Mecânica
⚠ Item do grupo opcional: das 8 respostas deste grupo, só as 4 com melhor pontuação contam para a classificação final.
✓ Resolução

A Terra roda com velocidade angular constante, efetuando uma rotação completa, 2π rad, em 24 horas (24×3600 s). A sua velocidade angular é:

ω=2πT=2π24×3600\omega = \dfrac{2\pi}{T} = \dfrac{2\pi}{24\times 3600}

O tempo que decorre desde que o Sol toca no horizonte até desaparecer completamente corresponde ao tempo que a Terra demora a rodar um ângulo igual ao tamanho aparente do Sol, α = 9,25×10⁻³ rad. Como ω = α/Δt, isolando o tempo:

Δt=αω=9,25×10−32π24×3600=24×3600×9,25×10−32π\Delta t = \dfrac{\alpha}{\omega} = \dfrac{9{,}25\times 10^{-3}}{\dfrac{2\pi}{24\times 3600}} = \dfrac{24\times 3600\times 9{,}25\times 10^{-3}}{2\pi}

(B) 24×3600×9,25×10−32π\text{(B) } \dfrac{24\times 3600\times 9{,}25\times 10^{-3}}{2\pi}

Questão 9.2 • 10 valores
Energia, Fenómenos Térmicos e Radiação
✓ Resolução

Nas tardes quentes de verão, o ar sobre a areia aquece mais depressa, tornando-se menos denso e originando uma corrente de convecção ascendente sobre a areia. Sobre o mar, o ar mantém-se relativamente mais frio e mais denso, estabelecendo-se aí uma corrente descendente. À superfície, o ar desloca-se, por isso, do mar para a terra, dando origem à brisa marítima.

Considerando que a energia absorvida, por unidade de tempo e por unidade de massa, é igual para a areia e para a água do mar, a diferença no seu comportamento térmico deve-se apenas às respetivas capacidades térmicas mássicas. Pela relação E = m c ΔT, para a mesma energia absorvida por unidade de massa, a substância com menor capacidade térmica mássica sofre uma maior variação de temperatura.

Como a areia aquece mais rapidamente do que a água do mar, atingindo temperaturas mais elevadas para a mesma energia absorvida por unidade de massa, conclui-se que a areia da praia tem uma capacidade térmica mássica menor do que a da água do mar. É precisamente essa diferença que explica o sentido das correntes de convecção observadas e, consequentemente, a formação da brisa marítima.

Questão 9.3 • 10 valores
Ondas e Eletromagnetismo
✓ Resolução

A velocidade de propagação da luz na atmosfera é ligeiramente inferior à velocidade de propagação no vazio, uma vez que a atmosfera tem um índice de refração superior ao do vazio, dado que n = c/v e uma velocidade menor corresponde a um índice de refração maior.

A atmosfera é mais densa junto à superfície da Terra, pelo que o seu índice de refração é maior nas camadas inferiores do que nas camadas mais altas. Ao atravessar sucessivas camadas de índice de refração crescente, a luz proveniente do Sol vai-se aproximando da normal em cada transição, curvando ligeiramente a sua trajetória.

Como um observador interpreta sempre a propagação da luz como retilínea, prolongando os raios recebidos em linha reta, perceciona o Sol numa posição aparente mais elevada do que a sua posição real. É por isso que, no pôr do sol, ainda é possível observar o Sol mesmo quando este já se encontra geometricamente abaixo da linha do horizonte.

(A) refrac¸a˜o da luz.\text{(A) refração da luz.}